Isolamento por coronavírus muda padrão de consumo da internet no Brasil

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O isolamento social causado pelo coronavírus aumentou o consumo de internet e causou mudanças no padrão de consumo da rede. O tráfego de dados usados em conferências de vídeo, serviços de streaming, notícias e sites de comércio virtual subiu desde a declaração da pandemia — principalmente nos países mais afetados.

Segundo o IX.br, projeto do Comitê Gestor da Internet no Brasil que promove infraestrutura dos Ponto de Intercâmbio de Internet, houve um aumento do tráfego, mas nada fora do normal.

“O que estamos percebendo, além de um pequeno aumento de banda consumida, é uma mudança no perfil do uso de cada horário”, explica Julio Sirota, gerente de infraestrutura do IX.br.

A Anatel chegou até a recomendar a provedores que aumentem a capacidade fornecida aos usuários por causa da doença, inclusive com acesso sem cobrança na franquia de dados a informações oficiais do Ministério da Saúde. As operadoras de telefonia, em posicionamento conjunto, afirmaram que “reforçaram o compromisso com a garantia de conectividade”.

De acordo com a Cloudflare, empresa especializada em serviços para internet, não é incomum que existam diferenças de tráfego durante períodos do dia e é normal o aumento em eventos específicos, como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo — e até manifestações religiosas como o Ramadan, época de jejum tradicional da cultura islâmica.

Na Europa, onde a crise causada pela doença está mais acentuada, os Pontos de Intercâmbio têm apresentado alta no consumo de banda de 10% a 20% em países como Alemanha e Reino Unido — e até 40% na Itália, país com o segundo maior número de casos registrados da doença.

Dados agregados pela Cloudflare mostram que o consumo tem peculiaridades: durante anúncios televisivos de Emmanuel Macron, presidente da França, o consumo de dados diminuiu, presumivelmente porque os franceses acompanharam pela TV. O mesmo aconteceu quando o governo da Holanda anunciou o fechamento do lojas, em um posicionamento via rádio.

Em universidades europeias, o isolamento fez com que o uso da internet se tornasse mais parecido com os dos finais de semana, quando esses lugares têm menos acessos.

Os Pontos de Intercâmbio são os “cruzamentos” entre as infraestruturas dos provedores de internet. Embora parte do tráfego da rede ocorra por ligações diretas entre os provedores, a medição do tráfego nesses pontos soma as conexões entre vários provedores e serve como panorama geral do comportamento dos usuários.

Só o ponto de conexão em São Paulo alcança picos de quase 10 Tbps (terabits por segundo), suficientes pra transmitir 3,3 milhões de vídeos em streaming na qualidade de alta definição (HD).

 

Rede é feita para resistir a mudanças

Apesar do leve aumento e das mudanças do perfil de consumo, não há preocupação com eventual interrupção do serviço. Embora alguns aplicativos e sites fiquem fora do ar ou tenham problemas de serviço, o núcleo da internet é mais robusto.

De acordo com Sirota, do IX.br, a internet é uma rede muito distribuída e resiliente, bastante imune a falhas. “A internet no brasil é muito robusta. Não devemos ter problemas nesse sentido”, disse. “Temos muita capacidade instalada, principais provedores de conteúdo tem bastante conectividade, e acesso é um gargalo.”

 

Fonte: G1

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